HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSÓFONOS NA

BIRMÂNIA


A par da Tailândia, a Birmânia tem uma das mais ricas histórias do sudeste asiático. O país foi unificado por volta do século XI. No século XIII sofre a invasão mongol mas liberta-se no século seguinte, formando-se a partir daí vários reinos no seu território, sendo os principais o reino de Pegu,  o reino de Ava e o reino de Arracão. Logo no início do século XVI, aquando da chegada dos portugueses, são enviados emissários a estes reinos para se iniciarem actividades comerciais. Em 1516 terá sido mesmo estabelecida uma feitoria no porto de Martabão. No entanto, as atenções oficiais portuguesas centram-se mais a sul, em Malaca. De modo que o comércio efectuado nestes territórios foi realizado essencialmente por particulares. Na actual Birmânia viveram nos séculos XVI e XVII muitos portugueses; não eram apenas mercadores, pois houve um grande numero que se tornaram mercenários nos exércitos locais, assim como outros que se tornaram piratas nestas águas.

Já no início do século XVII, em 1602, o rei de Arracão  decidiu presentear alguns portugueses pelos bons serviços prestados a ele; Filipe de Brito estava à testa destes; foi-lhes dado o porto de Sirião, que é a actual Rangum, capital da Birmânia. De início tudo correu bem; foi construído um forte e uma Alfândega para cobrar impostos. Mas devido a isso e a alguns outros abusos dos portugueses, o rei mudou de ideias e tentou expulsá-los dali; em conjunto com tropas do reino de Pegu foram atacá-los em 1605 mas acabaram completamente desbaratados e o príncipe herdeiro de Arracão acabou prisioneiro, tornando-se uma moeda de troca para a paz que se efectivou mais tarde. O forte de Cosmim, próximo de Sirião, terá sido também tomado pelos portugueses nesse combate. No entanto, devido ao fortalecimento do reino de Ava, o qual submete entretanto toda a região, os portugueses encontram nele um adversário mais persistente e poderoso. E não tinha qualquer interesse em ficar dominado comercialmente como o reino de Pegu por parte da fortaleza portuguesa que controlava a principal saida marítima deste. Em 1613, as suas tropas atacaram Sirião e apesar dos combates terem sido renhidos, acabarão por tomar o forte e a cidade. Do que sobrou, ainda é possivel hoje ver as ruínas do forte português e da Igreja que existia no seu interior. Descendentes da mistura entre portugueses e birmaneses ainda hoje se encontram no norte da Birmânia, onde praticam igualmente a religião católica.