HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSOFONOS NO

 GANA


O actual país do Gana era denominado até ao século passado de Costa do Ouro. Os portuguêses chegaram a chamar-lhe Costa da Mina.

A esta costa rumaram muitos navios para comercializarem com as gentes locais, nomeadamente escravos e ouro. D.João II de Portugal, aproveitando a Bula Papal que deu a Portugal o monopólio do comércio na costa africana ao sul das Canárias, decidiu fortalecer essa intenção e em 1481 funda uma feitoria e fortificação na aldeia de Elmina, a que é dado o nome de S.Jorge da Mina. Com este entreposto na costa africana, o ouro sudanês também começou a ser canalizado para lá. A fortaleza foi construida junto a uma embocadura do rio de modo a assegurar a proteção aos navios que por lá demandavam. A partir daqui este entreposto se desenvolve e torna-se uma cidade amuralhada, passando a ser a sede do governo de Portugal nesta costa até à sua tomada no séc.XVII. Portugal tentou agremiar o maior numero de estados da região para negociar com eles e por isso esta feitoria se tornou ponto de encontro de todos os chefes africanos que queriam negociar com os portuguêses. Buzeos da India e conchas moeda serviam para comprar o marfim, os escravos e ouro,  levado para o local pelas caravanas transarianas; mas paradoxalmente,  a principal troca fazia-se trocando escravos por ouro. Os escravos eram fornecidos principalmente pela colónia de S.Tomé que os adquiria maioritáriamente na costa da actual Nigéria. Cerca de 30.000 escravos serão importados para aqui com esse objectivo.

Devido a esta estreita relação com as populações locais é desenvolvido um Creolo Português que se manterá até muito depois dos portuguêses partirem e que será utilizado nas relações comerciais com outros povos europeus que ocuparam mais tarde esta costa, tal como os holandeses, os ingleses e os dinamarqueses.

Em 1503 os portugueses constroem um pequeno forte e entreposto comercial perto do Cabo das 3 Pontas que dão o nome de Santo António de Axém. Em 1515 reconstroem o forte tornando-o maior e mais robusto.

Mais tarde em 1558 é estabelecido outro entreposto  a leste do Cabo das 3 Pontas, junto à vila de Shama. O forte era de madeira com uma torre de pedra. É-lhe dado o nome de Forte de S.Sebastião de Shama.

Antes, em 1557 é construido um armazém fortificado em Accra. Em 1576 começa-se a construir um forte mas em 1577/78 os africanos locais atacam o forte ainda inacabado e destroem-no e expulsam os portuguêses. Mais tarde em 1640 ainda é instalado na zona um armazém mas que em 1645 tem de ser abandonado.

Em 1623 na confluência dos rios Ankobra e Duma, os portuguêses constroem outro forte de curta duração que é o Forte Duma. Em 1636 dá-se um tremor de terra que o destroem significativamente e por isso logo depois é abandonado.

Após a deflagração das hostilidades entre Portugal e a Holanda todas as possessões ultramarinas portuguêsas entraram mais cedo ou mais tarde em conflito com as forças holandesas que as tentavam tomar. Os holandeses começaram-se a instalar entre 1595 e 1600 na região de Moure, onde construiram um armazém. Em 1610 os portuguêses atacaram as instalações e destruiram-nas mais a vila à volta. Mas já antes em 1606 e 1607 os holandeses tinham iniciado as hostilidades ao tentarem conquistar o forte de S.Jorge da Mina e o forte de S.António de Axém; são derrotados em várias batalhas apesar da inferioridade numérica dos portuguêses, os quais felizmente contaram com a ajuda de alguns aliados africanos. Em 1612 os holandeses fortificam a posição de Moure, e dão-lhe o nome de Forte Nassau, o qual é atacado em 1615 pelos portuguêses que o incendiam e também a vila à sua volta. No mesmo ano os holandeses atacam o Forte de S.Jorge após este ter sofrido alguns estragos devido a um tremor de terra mas não o conseguem tomar. Em 1625 um numeroso numero de soldados holandeses (1200) e 150 africanos atacam o forte de  S.Jorge que tem apenas 56 portuguêses. Mas a pronta assistência dos aliados africanos ajuda os portuguêses a derrotarem pesadamente o seu adversário.

Entretanto os fortes Duma e de Shama são abandonados por diversas razões. S.Jorge mantem-se em posse de Portugal até Agosto de 1637, altura em que um exército holandês de 900 homens e cerca de 1500 africanos o cerca e obriga a sua guarnição a render-se, tornando-se a sede do governo holandês na região. O forte de Santo António de Axém ainda aguentou o ataque de 1641, mas em Fevereiro de 1642 os holandeses conseguiram-no tomar.

Só quase 40 anos mais tarde os portuguêses voltariam a esta costa com a compra aos dinamarqueses do seu forte em Accra, em Dezembro de 1680, ao qual dão o nome de S.Francisco Xavier mas logo em Agosto de 1682 o abandonam, fechando assim o ciclo português nesta região.

Os Dinamarqueses ainda se manterão até 1850 e os holandeses até 1872, anos em que vendem as suas possessões aos ingleses que colonizarão o resto do país até 1957. 

 

wpe8.jpg (10317 byte)   Sao Jorge da Mina, em 1637                                 


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Forte de S.jorge da Mina actualmente. Quase idêntico ao da época portuguêsa.


wpeA.jpg (7349 byte)  Forte de  São Jorge da Mina.


ghan sham.jpg (8803 byte)    Forte de  São. Sebastião em Shama.


wpeC.jpg (12216 byte) wpeD.jpg (7358 byte)

Forte de Santo Antonio de Axém


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