HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSÓFONOS NA
GUINÉ EQUATORIAL
A história deste país confunde-se até certa altura com a história de S.Tomé e Principe, ilhas descobertas na mesma época que as ilhas de Ano Bom e Fernando Pó. No dia 1 de Janeiro de 1471 é descoberta a ilha de Ano Bom pelo mesmos navegadores que descobriram S.Tomé e a ilha do Príncipe e em 1472 é descoberta por Fernando Pó a ilha à qual dará o seu nome. Estas duas ilhas formaram com S.Tomé e Príncipe o Arquipélago do Golfo da Guiné, o qual a história não manteve unido.
A ilha de Ano Bom foi atribuída a um donatário, o qual inicia a colonização da ilha a partir de 1503. As famílias donatárias irão mudar ao longo dos séculos mas a ilha tal como Fernando Pó manterá sempre ao nivel governativo uma dependência com S.Tomé. Os portugueses introduzirão na ilha laranjeiras, limoeiros, milho e inhame, além de diversos animais como cabras, porcos e galinhas. A cana do açucar ainda introduzida no século XVII nunca teve sucesso. Os seus habitantes eram maioritáriamente vindos de Portugal ou eram negros ou mestiços livres vindos de S.Tomé. Devido ao seu isolamento e ao desinteresse dos donatários os seus habitantes começarão a eleger um Capitão Mor para as suas relações com o exterior. Chegou a ser construído na ilha um pequeno forte para defesa dos piratas e corsários. Em 1660, os holandeses a desembarcarem na ilha de Ano Bom, onde chegam a construir um fortim, mas a hostilidade da população local leva-os a retirar da ilha no mesmo ano.
A ilha de Fernando Pó era a única que já era habitada, resultado provável da sua próximidade com a costa. Os portugueses ainda introduziram a cana do açucar no ínicio do século XVI mas esta cultura não teve sucesso assinalável como teve em S.Tomé. Este sistema económico baseado na cana do açucar implicava a subjugação de toda a ilha, não surgindo na época interesses suficientes para efectivarem essa pretensão. Assim a ilha tornou-se sim um polo importante para resgatar escravos, tanto para as plantações de S.Tomé como para os enviar para o Brasil. A Companhia de Cabo Verde e Cacheu fundada em 1690 fundou pouco depois uma feitoria para controlar este comércio.
Quanto ao território continental que hoje pertence à Guiné Equatorial, mais conhecido como Rio Muni, os portugueses mantiveram desde o fim do século XV vários contactos comerciais com os reis locais, nomeadamente para adquirirem escravos e marfim; em 1724 é inclusive criada uma Companhia comercial, de capitais maioritáriamente franceses e administração francesa mas sob protecção portuguesa e registada em território português que se chama Companhia do Corisco, a qual se instalará na ilha do mesmo nome no actual Rio Muni. Esta Companhia dedicar-se-á ao comércio de escravos e ao contrabando. Terá a obrigação de construir um forte na referida ilha mas durante os seus curtos anos de existência a companhia não terá o sucesso pretendido acabando por se extinguir.
Em 1778, em consequência do Tratado do Pardo de delimitação de fronteiras na América do Sul, Portugal cede as ilhas de Ano Bom e de Fernando Pó à Espanha, país que procura assim ficar independente em relação a Portugal no que respeita à importação de escravos para os seus territórios americanos. Nesse mesmo ano os espanhóis vindos de Montevideo desembarcam em Fernando Pó e em 1779 desembarcam em Ano Bom. No entanto devido às doenças que ceifaram vidas aos espanhóis e à hostilidade das populações em relação aos mesmos fazem com que rapidamente abandonem a ilha de Ano Bom que entra em auto gestão, e pouco depois também a ilha de Fernando Pó. Neste ultima ilha tentarão retomar o domínio efectivo no final do século mas outras prioridades da política espanhola votam-na ao esquecimento o que leva os ingleses em 1827 a ocuparem a ilha. Só em 1844 os espanhóis voltam a ter pretensões de ocupar as ilhas, recebendo o auxílio diplomático de Portugal que comprova documentalmente perante as autoridades inglesas que as ilhas foram cedidas à Espanha por Portugal no século XVIII. A Espanha retoma a ilha no mesmo ano e também reocupa Ano Bom. O território de Rio Muni começa a ser ocupado em 1856, terminando a sua ocupação no interior só em 1926.
Actualmente o único vestígio da presença portuguesa é a língua falada pela população de Ano Bom, a qual fala um criolo português similar ao de S.Tomé, mantendo por isso e devido ao seu isolamento geográfico com o resto do país uma identidade cultural própria.
