HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSÓFONOS NO

IRÃO


O Irão é um país com uma grande história milenar. Conhecido até meados do século XX como Pérsia, o país foi um dos mais poderosos da Antiguidade. Foi conquistado por Alexandre Magno no século IV antes de Cristo mas um dos seus generais fundou nele a dinastia Seleucida a qual combateu os Romanos sem quartel. Mais tarde será também conquistado pelos Árabes no século VII e permanecerá no domínio dos Califados até à conquista Mongol do século XIII. No final do século XV o país desagrega-se até um grupo, os Persas Sefévidas iniciarem a unificação do país durante o século XVI. Quando os portugueses chegam ao Golfo Pérsico no início do século XVI, este encontra-se em parte dominado pelo rei de Ormuz, ilha situada à entrada do golfo, com uma natural importância estratégica. Ormuz pertencia à Pérsia e pagava um tributo ao Xá da Pérsia. Em 1507, Afonso de Albuquerque comandou os portugueses até ao golfo e submeteu diversas cidades.  Solicitou a Ormuz  a mesma coisa mas o seu Rei não acedeu e os portugueses desembarcaram e derrotaram as suas forças. O rei então concordou em submeter-se às exigências portuguesas. Uma fortaleza começou a ser construída mas um motim entre os capitães portugueses com o apoio do rei de Ormuz provocou sérios confrontos que levaram Albuquerque a embarcar. Mas em 1515 voltou novamente e reconquistou a cidade. Colocou nela um rei favorável a Portugal e conjuntamente com ele e os ormuzinos ficou a controlar todo o Golfo Pérsico. Cidades como Mascate, Julfar, Al Qatif e o Barhein ficaram automaticamente sob domínio português pois já pertenciam a Ormuz. Esta cidade constituirá a base das operações portuguesas no golfo, no qual se registaram fortes combates com os Turcos durante todo o século XVI.

O rei de Ormuz e os outros reis tributários puderam continuar a reinar, embora sob tutela portuguesa, mas tinham de pagar os impostos a Portugal regularmente e todo o seu comércio estava sob jurisdição portuguesa. Eram enviados muitos produtos da região para a Índia portuguesa, alguns dos quais reenviados depois para Portugal. Na cidade de Ormuz existia pois uma Alfândega para se pagar as taxas de comércio de todo o Golfo. Como na ilha as reservas de água eram reduzidas, os portugueses recorriam ao continente para se reabastecerem; ainda no século XVI chegam a construir um forte, chamado de Comorão, para proteger esse acesso. Ormuz constituirá durante muitos anos um dos pilares portugueses do oriente e em conjunto com as tropas ormuzinas fiéis a Portugal, o domínio do golfo e de um número elevado de cidades e fortalezas é efectivo. Embora se possa ter perdido uma ou outra posição ao longo dos anos, a posição portuguesa durante o século XVI nunca foi realmente ameaçada, apesar de alguns duros combates com os Turcos. Em 1582, o rei da ilha de Lareca fronteira com Ormuz revoltou-se contra os portugueses e cercou a fortaleza de Ormuz; mas foi derrotado e foi posteriormente atacado na sua ilha onde os portugueses lhe tomaram a capital e forte de Xamel.

No entanto, no início do século XVII a Pérsia já se encontrava totalmente unificada pela dinastia Sefévida e começou a tentar desalojar as posições portuguesas de modo a também ela dominar o Golfo Pérsico, fonte de bons rendimentos comerciais. Em 1602 protegem o Barhein depois destes terem expulso os portugueses. Mais tarde em 1615 tomam o forte de Comorão. Posteriormente é nomeado o Capitão Rui Freire de Andrada para comandar os portugueses. Em 1621 ele constrói um forte na ilha vizinha de Queixome no intuito de proteger as reservas de água a serem enviadas para Ormuz. O Xá da Pérsia encara isso como um acto de hostilidade e inicia uma guerra em grande escala contra Portugal. Como o Xá não se sentia com força suficiente para vencer os portugueses, procurou aliar-se aos ingleses e aos holandeses para tentar vencer essa guerra; em troca prometeu metade dos lucros obtidos nos portos persas. Então logo em 1622, com o apoio dos árabes, os persas conseguem tomar a cidade de Julfar e a cidade de Soar no outro lado do golfo. No início desse mesmo ano, com a ajuda dos ingleses tomam o forte de Queixome. Dias depois cercam Ormuz e obrigam à sua rendição cerca de 3 meses depois. Quase 2000 pessoas são então evacuadas para Mascate; quanto aos soldados ormuzinos, são massacrados na sua maioria pelos Persas. Os portugueses tentarão tomar a fortaleza nos anos seguintes, tanto através de acções militares como através da diplomacia. O melhor que conseguem é a instalação com o acordo do Xá, de uma feitoria na costa Persa, na localidade do Congo. A feitoria terá sido autorizada na condição de os portugueses levarem todos os navios do Golfo Pérsico a irem lá pagar os direitos na Alfândega, ficando Portugal com metade desses direitos. Esta feitoria será após a queda de Mascate em 1650, a única posição portuguesa no golfo e existirá até ao século XVIII. De ressalvar que em consequência do conflito com a Pérsia, os Turcos também ameaçados pelos Persas, aliam-se aos portugueses e em consequência disso é estabelecida uma feitoria portuguesa em Bassorá, no actual Iraque. Actualmente uma grande parte fa fortaleza de Ormuz ainda existe assim como as ruínas do forte construído em Queixome.