HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSOFONOS NA
MAURITÂNIA
O actual território da Mauritânia esteve desde cedo em contacto com os navegadores portugueses, tanto ao nivel das pescas como ao nivel das transacções comerciais. O primeiro posto comercial português permanente na costa ocidental africana será estabelecido no Arquipélago de Arguim, descoberto em 1444 por Gonçalves da Silva. Este arquipélago fronteiro à costa Mauritana já era muito frequentado pelos mercadores das caravanas africanas, nomeadamente por causa do sal. São ilhas que possuem água doce e peixe abundante o que favoreceu a fixação de armazens e outras instalações comerciais. A fixação permanente só começou em 1455, sendo mais tarde fortificada.
Pode-se dizer que um novo ciclo da escravatura moderna se iniciou aqui. A escravatura sempre existiu desde à muitos milénios; os muçulmanos logo no século VII a desenvolveram para colmatar as constantes faltas de mão de obra e serão eles que massificam a escravatura em África. Portugal também era uma sociedade onde existiram sempre escravos brancos e outras formas de servidão que no séc. XV já se estavam gradualmente a libertar; a expansão maritima e a escassez de mão de obra no reino fará os portugueses aproveitarem o trafico de escravos negros já existente na zona e tornarem-se o seu principal cliente. A partir de Arguim serão enviados escravos para Portugal, Castela e todos os outros reinos do sul da Europa. Portugal não inventou a escravidão mas criou um modelo que será aproveitado mais tarde, a partir do século XVII, por outros estados europeus; a partir daqui surgirão todas as conotações modernas conhecidas sobre a escravatura, todos os preconceitos, todos os esteriótipos e todos os icones em volta do tema. Portugal ficará assim registado como o criador da escravidão do negro pelos povos europeus. No mercado de Lagos em Portugal serão os primeiros escravos vendidos nas décadas de 40 do Século XV.
Arguim será a primeira fortaleza construída pelos portugueses e será o modelo para todas as restantes construídas em África, na América e na Ásia. Neste primeiro entreposto serão obtidos muitos escravos e ouro, trocados por cereais, tecidos, cavalos, selas e objectos de adorno, etc.. Este ponto ainda fornecerá aos portugueses goma e peles de antílope. Com esta feitoria Portugal consegue desviar em direcção ao Atlântico das caravanas de Tombuctu e Uadane. Nesta ultima localidade Portugal ainda instala uma feitoria para atrair os comerciais de Tombuctu, mas sem o sucesso esperado e por isso acaba por ter uma existência efémera. Os produtos que Portugal utilizava para comprar os artigos locais tinham muitas vezes origem na sua feitoria de Antuérpia, fundada em 1499; outra fonte de bens, nomeadamente de tecidos e vestuário eram as redes magrebinas, principalmente as cidades que os portugueses tinham conquistado em Marrocos.
Devido ao desenvolvimento de outros mercados paralelos, os tempos de glória desta feitoria duraram apenas até meados do séc.XVI. Nas guerras com a Holanda no Séc.XVII este entreposto será tomado por eles em Fevereiro de 1638. No mesmo século será tomado pelos franceses.
