HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSÓFONOS NO

OMAN


O actual território do Oman foi conquistado no século VII pelos exércitos árabes mas o enfraquecimento do império árabe e a sua consequente desagregação, tornou este território numa região dividida em vários emires. Uma parte da sua costa estava no início do século XVI nas mãos do Rei de Ormuz. Quando Ormuz foi tomada em 1515, também os seus territórios em Oman ficaram nas mãos dos portugueses. Mas só gradualmente Portugal foi ocupando militarmente a região. Já em 1507 tinha tornado as cidades de Soar e Calayate tributárias de Portugal. Outras se seguiram como Curiate e Mascate. Várias revoltas se irão dar durante o domínio português mas serão sempre sufocadas pela força, tal como a de Mascate e Calayate em 1526. Em 1551/52 é construído um forte português em Mascate o que não evita o saque da cidade pelos Turcos em 1552. Em 1581 os Turcos voltam novamente e destroem a cidade. Para prevenir novas destruições, em 1588 a fortaleza é fortemente reconstruída e são construídas muralhas à volta da cidade; um forte é igualmente construído em Matara, próximo da cidade.

Com a tomada de Ormuz em 1622, esta região adquiriu um papel principal no dispositivo português para controlar o Golfo Pérsico e as suas rotas comerciais. O comando português instala-se em Mascate e são construídas várias fortalezas na região para fortalecer esse domínio; as fortalezas de Sibo e de Borca entre Mascate e Soar são disso um exemplo. Em 1622 os Persas também tinham tomado Soar mas logo no ano seguinte a cidade é retomada. Em 1623 também é construída uma fortaleza em Khasab, no extremo norte da península de Musandam, do lado oposto da costa onde está Ormuz. O capitão Rui Freire de Andrada será quem lidera todas as movimentações portuguesas entre um pouco antes da tomada de Ormuz e 1633, data da sua morte. Este fortalecimento da posição portuguesa e de todo o seu aparelho militar aumentou o descontentamento entre os árabes do interior de Oman e a partir dos anos 40 do século XVII, os portugueses sofrerão a pressão dos ataques destes a partir do interior. O objectivo de expulsar os portugueses das cidades costeiras de Oman vai fazer com que os árabes do Oman se unifiquem e numa frente conjunta consigam conquistar as cidades uma a uma. Em 1643 será a vez de Soar cair nas suas mãos. Em 1648 a maioria das cidades referidas são tomadas ou abandonadas pelos portugueses em consequência de um forte ataque a Mascate. Esta será a ultima posição portuguesa no país mas cairá logo a seguir em 1650. No porto da cidade os Omanitas capturam alguns navios portugueses; baseados nesses mesmos navios começam a construir outros semelhantes com os quais se tornarão uma potência naval no Oceano Índico, conquistando algumas posições aos portugueses na costa oriental de África, como Zanzibar logo em 1652. No Oman ainda hoje é possível ver a maioria das fortificações portuguesas deste período, muitas delas em razoável estado de conservação, como em Mascate.


Forte Khasab

Forte Khasab - vista aérea

 

Forte Mirani em Mascate