HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSÓFONOS NO

SENEGAL


 

A chegada dos portugueses ao actual território do Senegal dá-se por volta dos anos 40 do século XV.  Esta ligação é feita em consequência da política de exploração marítima empreendida pelo Infante D.Henrique, irmão do rei D.João I. Logo em 1444 os portugueses chegam à actual ilha da Goreia, em frente da também actual capital  Dakar. Apesar das características muito favoráveis para a instalação de uma fortaleza aí, tal não foi a opção dos governantes da época que na vastidão da costa africana optaram por construir as primeiras fortalezas em Arguim, a norte e em S.Jorge da Mina muito mais para o sul. No entanto vários portugueses se estabeleceram nesta ilha, onde até construíram uma Igreja em 1482, a qual serviu de cemitério para muitos portugueses que faleciam na região. Esta pequena ilha tinha um porto natural de excelentes condições e permitia a atracagem de dezenas de navios simultaneamente. A ilha servirá de apoio para os muitos navios que durante séculos a demandam, pois tinha uma fonte de água doce para abastecer os navios.

Nesta região os portugueses encontraram já alguns reinos organizados e com um comércio já obedecendo a canais normais de  compra ou troca. Como tal não foi difícil para os portugueses encetarem negociações onde trocavam bens europeus por produtos como os couros, a cera, o coral, o marfim e muito importante na época os escravos. Os lançados, muitas vezes mestiços filhos de portugueses, serviam como intermediários nestas terras. Durante muitos anos esta situação se manteve, com muitos portugueses a fixarem-se no interior destas terras africanas e até a constituírem família com as mulheres locais. Desenvolviam um comércio frequentemente independente da Coroa portuguesa, não deixando por isso de criar conflitos com a mesma, pois furtavam-se a pagar impostos e a não acatarem as determinações Reais. Portudal é um exemplo do local onde muitos portugueses lançados se fixaram.

No entanto, nas ultimas décadas do século XVI aumentou a instabilidade nestas regiões e os portugueses concentraram-se mais nalguns portos mais importantes, situados por vezes em rios com fácil acesso para o mar como foi o caso do Cacheu na actual Guiné Bissau, por onde transitavam muitos produtos vindos da região de Casamança que é o sul do actual Senegal. Por aí passavam milhares de escravos todos os anos. Neste período aumentaram muito as visitas dos franceses e dos ingleses a esta região para comercializarem; foram apoiados pelos lançados que lhes vendiam tudo o que lhes interessava; torna-se um mercado muito importante para estes dois países. Contudo, foi a pressão holandesa que vai tomar posições de  Portugal nestas regiões, ao tomar a ilha da Goreia em 1617. Em 1628 o Governador de Cabo Verde volta a tomá-la mas no ano seguinte perde-a novamente. Com a tomada a norte de Arguim em 1638 e com a constante concorrência dos ingleses e dos franceses, os portugueses concentram-se mais para sul. Em 1630 expulsam os holandeses do Cacheu e em 1641 fundam o presídio de Farim na actual Guiné Bissau, seguindo-se Ziguinchor em 1645 no Reino de Casamança, aliado dos portugueses. Ziguinchor ficará mais tarde dependente da Capitania do Cacheu.

A costa do actual Senegal ficará gradualmente nas mãos dos francêses que a partir do século XVII instalaram várias feitorias e fortes no território, expulsando os holandeses ainda antes do final do século XVII e disputando com os ingleses alguns locais. Portugal permanece a sul em Ziguinchor. Mas em 1828 os franceses fundam uma feitoria no ilhéu dos mosquitos junto a Casamança. Após a Conferência de Berlim, as potências europeias tentam delimitar objectivamente os seus territórios ultramarinos e entre 1885 e 1886 Portugal e a França acordam as fronteiras entre a Guiné Bissau e os actuais Senegal e Guiné Conacri; em troca de vários territórios como o de Cacine no sul da Guiné Bissau e de outros acordos sobre outras regiões ultramarinas, Portugal cede Casamança à França, onde se inclui Ziguinchor.

Devido aos vários séculos de história comum as populações da Guiné Bissau e as de Casamança falam o mesmo crioulo de origem portuguesa, manifestando entre eles uma identidade comum. Os outros Senegaleses chamam portugueses (portuguais) à sua população de Casamança. Ainda existem vários edifícios construídos no tempo da administração portuguesa. Devido às suas diferenças culturais com o resto do país e devido à sua potencial riqueza petrolífera, desde 1982 existe um movimento de luta armada pela independência, apoiado de uma forma encapotada pela Guiné Bissau.

Durante os anos 50 e 60 começam a chegar ao Senegal muitos Cabo Verdianos em busca de melhores condições, formando uma comunidade que hoje se estima chegar às 30 mil pessoas; também existem cerca de 5 mil  guineenses. O reconhecimento que os portugueses foram os primeiros europeus a chegar ao Senegal e nele permanecerem muitos séculos fez com que o antigo presidente do Senegal Sekou Touré criasse um departamento na Universidade de Dakar para ensinar o português. Actualmente tem cerca de 10 000 alunos a aprenderem o português, tanto na universidade como no ensino secundário. Este objectivo também surgiu como um sentimento do antigo presidente em contrabalançar a influência cultural francesa.