HISTÓRIA E VESTÍGIOS LUSOFONOS NO
ZIMBABWÉ
O Zimbabwé é um país com uma história milenar e é um dos poucos países africanos que construiu edificios em pedra antes do contacto com os europeus. Quando o Rei D.Sebastião decidiu separar o extremo oriente e a África oriental do governo de Goa, foi enviada uma expedição ao actual Moçambique, donde partiu uma força de centenas de homens com o objectivo de encontrarem e controlarem as minas de ouro existentes principalmente no actual Zimbabwé. A expedição correu mal, não tanto pelos confrontos militares com as populações locais mas sim pelas doenças contraídas como a malária e outras mais fatais. Esta expedição e outras subsequentes decorreram entre os anos 1569 e 1575, todas sem conseguirem atingir o seu objectivo inicial. A consequência política directa foi a de toda a região passar novamente para o controlo directo de Goa.
De qualquer forma os portugueses continuaram a demandar a esta região, onde comercializavam vários produtos em troca do almejado ouro e também de marfim e escravos. Várias feiras foram estabelecidas com esse efeito nas regiões do actual Zimbabwé e nas regiões ocidentais do actual Moçambique, como a de Manica. Em todas estas regiões habitavam várias etnias e eram governadas por vários reinos, o mais importante dos quais era o reino do Monomotapa, o qual exercia uma determinada suserania nos reinos à sua volta.
Os portugueses ao longo das décadas seguintes das primeiras expedições continuaram a vir cada vez em maior numero a estas regiões e a interferirem cada vez mais nas suas questões internas, ajudando em 1607 um dos pretendentes ao trono Monomotapa; serviram muitas vezes de mercenários ao serviço de diversas facções, pretendendo retirar benefícios comerciais e de segurança com esses apoios. Mas em 1628, com a morte do rei Monomotapa, facções profundamente opostas aos portugueses empreendem uma perseguição implacável aos mesmos em todo os território, obrigando muitos a voltarem aos pontos de partida como Sofala, Sena e Tete. Os frades Dominicanos decidem então mobilizar os portugueses a reagirem a esta perseguição e entram com uma força militar nos territórios desavindos e apoiam um tio do rei falecido chamado Mavura e mais favorável aos portugueses a conquistar o trono. Apesar deste rei não contar com muito apoio entre as populações e de não ter a maior parte do país sob seu controlo, com o apoio dos portugueses é empreendida uma ofensiva militar que dura até 1632, onde as tropas portuguesas e seus aliados conseguem grandes vitórias na batalhas contra os adversários do novo rei. A partir daqui este rei não será mais do que um mero vassalo de Portugal, sendo obrigado a abrir todo o país ao comércio português, a consentir a construção de fortificações nos pontos estratégicos, existindo inclusivé um capitão português e suas tropas na sua capital. A presença dos padres Dominicanos é relevante no território, onde são construídas diversas Igrejas, sendo muitas populações convertidas ao Catolicismo.
Esta presença será duradoura e criará raizes no país; muitos dos portugueses aí instalados casaram com mulheres locais, de diversos extractos sociais e aí tiveram os seus filhos. Tem sido feitas escavações recentes no país onde se comprova esta presença e inserção social. Esta presença manter-se-á até à década de 90 do Século XVII, quando conflitos de sucessão e invasões externas de outros poderosos reinos africanos como os Rozvi, o que produz o exodo da maioria dos portugueses após algumas batalhas perdidas. Em 1695 já Portugal tinha perdido o controle desta região, não encontrando força nem argumentos para voltar ao anterior status quo. Mais tarde, na segunda metade do século XIX, Portugal ocupa a região oriental do Zimbabwé, além de outros pequenos territórios, os quais terá de abandonar sob pressão dos ingleses de Cecil Rhodes que pretendiam ligar a Cidade do Cabo ao Cairo só com possessões inglesas. Perante o ultimato inglês de desocupação da área, Portugal chega a um acordo em 1891 que delineia as actuais fronteiras entre Moçambique e a do Zimbabwé.
